quinta-feira, 10 de julho de 2008

Quem cala..., consente!


Lembro-me, nos tempos de Faculdade, do velho professor Dr. João Asmar ensinando o seu latinório: “Ille tacitus, consen.” Ou seja, em bom português: quem cala, consente! E eu, cá do meu jeito, acrescento: se não tens coragem para falar, cala-te para sempre; ou engula os sapos e aceite ser vítima do próprio silêncio. Porque é o silêncio do povo que incentiva o poder aos desmandos, à corrupção, à vileza e à tirania. De fato, cabe aqui uma questão: por que tantos de nós discordamos dos absurdos que presenciamos e nos calamos diante deles? Por que temos tanto medo de ofender quem detém o poder? Serão ecos dos tempos de ditadura? Será uma herança maldita da colônia que ainda somos? Certo é, caros amigos, que o nosso silêncio eterniza os desmandos e quem os pratica sente-se cada vez mais seguro.
Por que nós sentimos que estamos “incomodando” quando cobramos nossos direitos? Será complexo de inferioridade? Ou medo de perder os benefícios que o Estado paternalista nos dá? Pois, quem cala consente em todo tipo de abuso, desmando, violência, troca de favores e impunidade. Alguém aí acredita que o Celso Pitta e o Daniel Dantas vão permanecer presos? Pois, se existe uma bancada inteira de deputados federais se borrando de medo das escutas telefônicas da Polícia porque foram financiados pelo banqueiro corrupto. Essa é a gente que nós colocamos em Brasília! E se déssemos um basta no nosso silêncio de carneiros mansos? Podemos gritar: Chega! Não voto mais em vocês! Vocês não merecem que eu lhes dê tanto poder! Só voto em candidato que abrir mão do salário! Chega de propina e de corrupção! Quero meu dinheiro de volta! Quero trabalho decente, não quero bolsa-esmola! Quero estudar com qualidade, não quero entrar pelos fundos! Eu pago impostos, logo, vocês são meus empregados! Ponha-se no seu devido lugar! Assim, talvez, poderíamos chegar perto do que é cidadania. Não seríamos conduzidos mansamente para o abate ou passivamente para a tosquia.
O nosso silêncio é um cheque em branco para os mal intencionados. A nossa crítica ao poder é sempre construtiva porque somos os verdadeiros detentores do poder; e, no mínimo, exigimos a exposição da verdadeira face daqueles que exercem este poder em nosso nome, em todas as suas instâncias e em todas as instituições. Portanto, não se cale! Vamos nos expressar como pudermos: pelas ruas, pelas igrejas, pelas sociedades, pelo teatro, pela dança, pelo gesto, pela palavra, enfim! Caso contrário, vamos engolir os nossos sapos! Seremos sempre vítimas da nossa mansidão e não merecemos o direito de falar.
Pensem nisso!

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Nós não somos iguais, não!


Caros amigos, eu ainda consigo me admirar com a capacidade que os políticos têm de conviver com uma situação como essa que envolve a nossa CPI do DETRAN. Se fosse comigo – eu acho que jamais será comigo! -, eu já teria morrido de vergonha. Saberia que por onde passasse as pessoas me olhariam e cochichariam “olha ele aí”. Saberia que na casa de todos estariam escancarados, nos jornais e na televisão, os atos que pratiquei e que não são nada decentes. Eu morreria de vergonha diante da minha família, de meus filhos. Como é que eu encararia os meus amigos? Como é que eu encararia a moça do caixa na padaria? E os meus vizinhos? Como seria uma reunião na Sociedade que freqüento? Como seria o cafezinho com os camaradas escritores? Pensei um pouco a respeito e cheguei a seguinte conclusão: uma pessoa só consegue suportar uma situação como essa de duas maneiras: se ela for um tremendo cara-de-pau ou se conviver entre pessoas que são iguais a ela. Um ladrão não tem vergonha de outros ladrões. Um vigarista não se envergonha diante de outros vigaristas. E me preocupei mesmo foi quando pensei que talvez essa turma ache que eu sou igual a eles; e que, portanto, poderiam conviver comigo como se nada tivesse acontecido.
E se eu estiver certo, então esse bando - e outros políticos da mesma cepa - me deixam menos indignado pelos desmandos que eles cometeram que pela perspectiva de que eles acreditem que somos iguais. Definitivamente, nós não somos iguais, não! Pois, essa escória tem de ser varrida definitivamente do cenário político brasileiro. Os homens e mulheres de bem deste país precisam unir-se em torno de uma bandeira de civilidade e justiça (não pensem que falo de algum partido político, não confio em nenhum deles), sob pena de serem tomados por iguais a essa corja. Os homens de bem precisam aprender a governar o governo, como diria o amigo Canabarro. Que tal uma nova campanha: “Nós não somos iguais, não!”. Mostraria o bom cidadão, decente, patriótico e correto. Um brasileiro diferente, que sirva de modelo a todos, principalmente às crianças. Que possam orgulhar-se de dizer que são honestas; que não usam pirataria por que isso incentiva o crime; que não compram auto-peças roubadas por que alguém pode ter morrido por causa delas; que não se escondem atrás da máscara de usuário de drogas por que é isso que faz o tráfico; que não usam artimanhas de suborno e de corrupção; que respeitam o tráfego e não usam o acostamento como pista; que não furam o sinal vermelho e não param em fila dupla; que não furam fila de banco ou qualquer fila, etc. Gente assim existe, são muitos, mas são tão silenciosos. Pois, precisam estar orgulhosos de ser como são e gritar a plenos pulmões: “Nós não somos iguais, não!”. Que beleza de campanha seria!
Pensem nisso!

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Terra doente.




Para quem não sabe a Terra está doente! Salve-se quem puder - ou melhor, se pudermos, salvemo-nos unidos. Foi acionado o botão vermelho e tocada a sirene de aviso: temos menos de cinqüenta anos para reduzir pela metade a emissão de gás carbônico céu acima. Se isso não acontecer, nós, Homo(nada)sapiens (sábios ou não) e toda a biodiversidade vamos para o beleléu respirando só fumaça.
Acomodados com as facilidades trazidas pela tecnologia, esquecemos quase sempre, que o planeta está doente, está febril. Os dinossauros foram alvos de extinção há milhões de anos; mas, agora, a bola da vez é uma espécie chamada: humana. É comum vermos na televisão, propagandas melodramáticas e apelativas de ongs que nos convidam a repensarmos nossa relação com a mãe Terra. Essas chamadas martelam e ecoam nas nossas cabeças, e fazem-nos refletir (às vezes não) sobre o nosso futuro; mas, infelizmente, desaparece feito mágica quando o próximo bloco da novela ou do enlatado de “roliúde” recomeçam, ou qualquer outra coisa que julguemos mais importante. Ou seja, enquanto o problema da poluição não nos tocar a saúde ou ao bolso serão só chamadas de alerta para os outros.
As soluções? Deixar de ver novela e filmes? Ora, não cheguemos a tanto! Se bem que ninguém perderia grande coisa. Mas, as soluções são várias: trocar o carro pelo transporte coletivo ou pela bicicleta, já é uma grande coisa, ao menos para o caos do trânsito; não jogar lixo na rua, além de ecologicamente correto é também sinal de educação; fazer coleta seletiva; limpar a própria calçada sem esperar que a prefeitura o faça; não queimar; não desmatar; plantar árvores; tratar o esgoto da cidade; consumir menos; optar por produtos biodegradáveis e com menos embalagens; levar a própria sacola de volta ao supermercado... São todas soluções primárias, pequenas e estão ao alcance de todos. O problema é que quando estas soluções ameaçam o nosso conforto individual, surgem então as célebres frases: “isso é problema do governo”, “que se dane a sustentabilidade”, “quando o mundo acabar, não estarei mais aqui”, “sozinho não posso fazer nada”; e a nossa displicência humana põe em cena a nossa própria condenação.
Li recentemente que São Paulo tem expectativa de vida menor em relação a outras regiões do Brasil em 1,5 anos devido à poluição; nós, aqui na terrinha, em breve chegaremos lá. Um ser humano produz, em média, 3,5 quilos de lixo por dia, o mundo aquece cada ano mais e o caos se estampa pouco a pouco (ou talvez até depressa demais). Como será o nosso fim? Quanto tempo demorará para chegarmos ao fim? Quando vamos realmente nos conscientizar do tamanho do problema? Não é utopia achar que se esta atitude começar de você, de mim, ou do seu vizinho a Terra estará menos doente. Pois, levante-se, comece!
Pensem nisso!

quinta-feira, 12 de junho de 2008

"SOLILÓQUIO e outras histórias curtas"




Aos caros amigos comunico o lançamento do meu mais recente livro: "SOLILÓQUIO e outras histórias curtas". A sessão de lançamento e autógrafos será na Fundação Cultural de Canoas (antiga Estação do Trem) , na noite de sexta-feira, 13 de junho, às 20h.


Trata-se de um livro de contos (que eu prefiro chamar de histórias curtas, conto mesmo é lá com o Machado de Assis) com 120 páginas, precinho de só R$ 10,00, em edição do autor, com apresentação do jornalista, poeta e escritor Canabarro Tróis Fº.






"... Quanto tempo fiquei inconsciente não sei. Escutei vozes ao meu redor, “... as crianças novamente, é a loucura...”, pensei. Não! Essas eram vozes adultas. Homens. O que falavam? Não conseguia entender, era uma língua do deserto. Difícil abrir os olhos. Alguém levantou-me a cabeça gentilmente e despejou-me na boca um pouco de água. Água! Água! Oh, Deus! Que benção é a água! Sem gosto, sem cor, sem odor, mas, se alguém me perguntar sobre o que é água, não existe resposta mais piegas e mais verdadeira: é vida! Abri imediatamente os olhos, só pude ver o contorno de um turbante profundamente azul. Na semi-inconsciência, lembrei-me dos trabalhadores berberes e de seu grande temor: Tuareg! O homem deu-me mais água. Agarrei-lhe a mão com avidez, ele desvencilhou-se e, falando francês, me fez entender que deveria ter calma e beber sem sofreguidão. O esforço pela água me fez desmaiar novamente. Deslizei, agora, mansamente para o inconsciente, amparado e sem sede. Anoitecia de novo, eu iria viver...".

Fragmento do conto Tuareg.



Haverá, ainda, uma sessão de autógrafos na Feira do Livro de Canoas, na barraca dos escritores da FUNDACAN, no dia 02 de julho, quarta-feira, às 17h., no calçadão do centro de Canoas.



Espero por todos.



Gerson L. Colombo

terça-feira, 29 de abril de 2008

Sonho de infância.


Julinho tem oito anos, mas aparenta ter cinco. Ele é amarelado, raquítico, de crescimento ruim para a idade; ainda assim, no meio do rosto esquálido, tem um par de olhos vivos, espertos, como os olhos de um rato, ágil nas manhas da sobrevivência. Brinca no meio da rua, quase sempre está sozinho; pés descalços, roupa imunda, cara suja, olhos remelentos, nariz sempre fungando; dá uma corridinha e puxa as calças largas para a cintura. É uma criança triste e solitária.
Mora no meio do beco sórdido, num barraco de madeira de um cômodo só. Mora com a mãe e outros três irmãos: uma menininha de cinco anos, outro de três e outro que ainda chupa o seio mirrado. Dormem todos na mesma cama desde que o companheiro atual da mãe foi levado pela PM. Antes disso, só o homem dormia na cama com a mulher; eles, as crianças, dormiam no chão, sobre uns trapos improvisados que eram seus colchões. Dormir no chão era frio, duro e ele tinha medo das baratas. Não gostava daquele homem. Ele batia na mãe, vivia bêbado; e quando a mãe não estava, botava-o para fora e ficava só com a irmã menor trancado em casa. Julinho colava o ouvido na parede do barraco e escutava o homem gemendo e fungando, até a irmãzinha começar a chorar. Além de tudo, aquele homem roubava seu lugar na cama quente da mãe.
Julinho não estuda, não faz nada. Sente uma fome constante e queria dormir num colchão só seu. A mãe o põe para fora de manhã cedo e manda que só volte à tardinha; e que tenha comido pela rua, porque em casa não há o que sustente a todos. Ele nunca se aventura muito longe de seu beco, perambula pelas redondezas. Sabe que alguém vai lhe dar o que comer, não sabe quem, não sabe onde; mas, como um rato, instintivamente, sabe que vai comer. Quase sempre está sozinho, mas ele não se importa; pelo menos, não terá de dividir com ninguém a comida que encontrar. Corre pela rua falando alto, alheio as pessoas e ao mundo a seu redor; corre montado num galho seco que é seu cavalo, de espada na mão, assim como o mocinho mascarado que viu num cartaz pregado na porta de uma loja de filmes. As outras crianças que encontra não lhe interessam, não faz caso delas. Nenhuma delas sequer olha para ele, nenhuma quer brincar com ele.
Volta para casa e já é quase noite. No meio do beco, em frente ao barraco, está parada uma Kombi branca com alguma coisa escrita na porta que ele não sabe ler. Dentro do barraco há um PM e umas outras pessoas. A mãe está chorando sentada a um canto. Ele acha graça na cara de pateta da mãe. Uma das moças vem falar com ele, diz que é de um tal Conselho Tutelar e que veio buscar a ele e aos irmãos para morarem numa outra casa, mas que a mãe não pode ir junto, que eles ficarão todos bem, que irão tomar banho e comer todos os dias. Julinho olha para a mãe apatetada e para o barraco imundo, volta-se e pergunta à moça se vai poder também dormir numa cama só sua. “Vai tomar banho, trocar de roupa, brincar, jantar e dormir numa cama bem limpinha”.
Julinho vai feliz dentro da Kombi, já não pensa mais na mãe que ficara chorando sozinha no barraco sem luz. Está aliviado, sorri satisfeito, até que enfim, vai poder dormir numa cama com colchão. Um colchão só seu,... só seu.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Como não criar bicho fera.


Vi um jovem mirrado de dezesseis anos, acorrentado feito bicho fera, assassino confesso de, pelo menos, doze pessoas, algumas com crueldade. Ele é frio, não apresenta remorso algum e, falando com seu advogado, disse: “O senhor veja aí o tempo que eu preciso ficar aqui. Não quero ficar mais que o necessário.”, com isso mostra total alienação em relação à gravidade do que cometeu. É preciso estômago para matar um ser humano e esse tem. Como ele chegou a isso? Onde ele se desviou da raça humana e tornou-se essa besta feroz e sem escrúpulos? Não sei o seu nome e não quero saber, e a mim pouco importa a sua sorte, desde que não volte para as ruas. Acho, pelo visto, que é caso perdido, não acredito em recuperação de sociopatas. E a culpa de tudo isso não é do Estado, não é da sociedade, é da família que não entendeu a responsabilidade de educar-se um filho.
Quantas lágrimas ainda serão vertidas até que as famílias entendam que educação é dever de pai e mãe e não da escola? E que isso não depende de classe social ou padrão cultural? Não conheço ninguém que não tenha preocupação com seus filhos em relação ao uso das drogas de abuso, notadamente quando esses são adolescentes. Então, por que tantos jovens estão na delinqüência? Porque é justamente aí, nesta fase da vida, que a preocupação dos pais ganha contornos dramáticos, pois é quando a maioria perdeu o controle sobre os filhos. E se fazem cegos e não querem ver, porque é mais fácil fingir que não sabe do que tomar uma atitude: “Meu filho nunca faz nada de errado, são as más companhias”. Talvez porque a educação tenha se baseado num processo de barganha: “Faça isso direitinho que te dou um brinquedo; vá a aula todos os dias que te dou um carro novo,...” Não existe receita para bem educar os filhos. É preciso coragem para dizer não, disciplina constante, exemplificação própria e uma boa dose de amor e desprendimento. Criar filhos sem essas regras pode até não torná-lo um homem (ou mulher) sem caráter, mas vai depender de sorte, da índole que eles tragam do berço, e ninguém quer jogar com a sorte quando se trata do futuro da prole. Pais que não passam aos filhos valores morais que dêem sentido à vida não lhes dão nenhuma perspectiva de futuro. Hoje, a educação, na maioria das famílias, baseia-se na construção de um grande homem, um grande profissional, um grande político, um homem de posses e diplomas, quando deveria voltar-se para a formação de homens de bem. Coragem para assumir a educação dos próprios filhos, talvez seja essa a receita para não criar bicho fera.
Pensem nisso!


segunda-feira, 24 de março de 2008

E aí, já aprendeu a votar?



Caros amigos, impossível não voltar ao tema, mas acontece que o nosso futuro depende dele,... E aí, já aprendeu a votar? Pergunta difícil, não é? Ainda mais quando a gente, nem ao menos, lembra em quem votou. Pois, este é mais um ano de eleições para prefeitos e vereadores; vamos escolher as pessoas de quem vamos reclamar pelos próximos anos. Sim, sempre reclamamos dos governantes. Só não falamos mal do Tancredo Neves porque morreu antes da posse. E vamos continuar insatisfeitos, porque o problema não está só no eleito, está também no eleitor. Afinal, o que esperar de um povo que valoriza o jeitinho, a malandragem e não o esforço? Que prefere o esperto e não o sábio? Que admira o vencedor do “Big Brother”, mas não sabe quem foi Guimarães Rosa? Que finge dormir quando um idoso ou um deficiente entra no ônibus ou no trem? Que estaciona seu carro de qualquer jeito sem se importar se outro pode estacionar ou, ao menos, sair? Que sonega e rouba do Estado tudo o que pode e, quando pode, sonega e rouba o que não pode; e, depois, reclama da falta de segurança e saúde públicas? Que despreza a leitura, a cultura e a instrução; mas aprecia o horóscopo, a crendice e a superstição? Afinal, o que esperar de um povo que aceita o suborno da cesta básica para votar em alguém?
Pois, o país só vai mudar se o povo mudar; se reformar a si próprio para depois reformar a sociedade. Políticos não fazem concurso público comprovando capacidade, inteligência e idoneidade; ele ganha votos, o meu voto e o seu voto. A esperança, talvez, esteja no voto do menor eleitor, são ainda idealistas puros, sem a contaminação pelos vícios morais da sociedade adulta. Ah, se o povo soubesse a força que tem. A força da opinião pública, que o político depois de eleito despreza, mas sempre lisonjeia; porque essa opinião do povo é o terreno firme debaixo de seus pés. O eleito não se moverá, não se distanciará das suas propostas e promessas se a opinião do povo for uma rocha. Nós, o povo, somos o Estado, por isso somos uma República, não dobramos a coluna para nenhum monarca; precisamos de governo e não de governantes. Portanto, cidadão eleitor, seja firme, seja íntegro, não se venda; depois exija, fiscalize sempre, não se cale. Talvez aí, tenhamos aprendido a votar.
Pensem nisso!

quinta-feira, 20 de março de 2008

Passividade bovina.


Caros amigos, Nietzche disse qualquer coisa como a raça humana possuir comportamento bovino; não pensa, precisa ser conduzida e aceita docemente o abate. O comportamento do povo brasileiro, durante esta gravíssima crise moral e institucional que atravessamos, parece confirmar o pensamento do filósofo alemão. Indolentes e temerosos, eis o que somos. Indolentes, por que perdemos nossa capacidade de indignação diante de tudo que está aí. Não nos chocamos mais com a corrupção endêmica que assola todas – eu disse todas – as nossas instituições. Temerosos, por que, frouxos como somos, temos medo de perder as benesses que o Estado paternalista nos dá: bolsa-escola, bolsa-família, vale-gás, vale-transporte e por aí vai. Isso tudo é esmola governamental –desviada do objetivo o mais da vez – pela qual o poviléu enche de votos a camarilha governamental.
Não se pode dizer o que é pior, se o eleito ou o eleitor; eu não tenho dúvidas que esse Congresso que aí está, mais sujo que pau de galinheiro, metido até o nariz na sua própria sujeira, será reeleito. E o nosso bom, inocente - e alienado - metalúrgico presidente? Esse nunca soube de nada. As coisas acontecendo na sua ante-sala e ele sem saber de nada. Oh, criatura inocente e boa! Só por isso, toma lá mais quatro anos.
O Vice-Presidente da OAB, Aristóteles Ateniense, disse que a entidade “desistiu do pedido de investigação de Lula porque não pode confiar o julgamento ao Congresso carcomido pela corrupção e porque o povo não tem demonstrado interesse pelo assunto”. O que será pior, um povo desesperado ou um povo indolente? Por muito menos que aí está, os caras pintadas derrubaram o Collor de Mello. Um povo desesperado derrubou a Bastilha, ceifou mil cabeças e instalou o terror; um povo indolente e temeroso encheu o Partido Nazista de votos, elegeu Hitler e permitiu que ele controlasse o Estado. O povo brasileiro precisa reencontrar seu caminho. Estamos perdendo terreno para os canalhas que elegemos e para o crime organizado. E isso tudo em nome da manutenção dessa ditadura constitucional que libera Hábeas Corpus aos malandros de gravata e cuida dos direitos humanos dos marginais, em detrimento dos direitos das vítimas que, ao final, seremos todos nós.
Pensem nisso!

segunda-feira, 3 de março de 2008

O créu (?)


Caros amigos, não gosto de televisão aberta, fujo dela sempre que possível. Tenho ranço com novelas, não suporto programas apelativos, não posso com velhas senhoras vestidas de adolescente fazendo programas juvenis, gordos apresentadores com velhas fórmulas viciadas para angariar audiência; o “Big Brother”, então, é o pior lixo cultural que anda por aí, não acrescenta um grama a mais no desenvolvimento moral e intelectual de quem o assiste. Mas, às vezes, a precaução falha e lá está a TV ligada, impossível não notar. Pois, dia desses, vi bestificado a “dança do créu”, e fiquei mais alarmado ainda com a franca ascensão da degeneração dos costumes. Um grupo de idiotas, travestidos de repórteres (sic), nas ruas de um subúrbio qualquer deste país, pedia às pessoas que fizessem a tal dança e, depois, riam dos infelizes às gargalhadas. Notava-se que eram pessoas de padrões cultural e social muito baixos; mas, pior que isso, foi ver as crianças, a maioria meninas, de seis, sete até uns doze anos, rebolando em gestos obscenos e até pornográficos. Pois, a dança do créu não é mais do que isso: um espetáculo inteiramente obsceno. Ato obsceno, até onde eu saiba, ainda é crime, e punível de três meses a um ano de cadeia. Quem chama esse “funck” lixo de música nunca ouviu James Brown ou Tim Maia - aquilo sim era funk. Quem chama isso de música popular nunca ouviu Paulinho da Viola, Chico Buarque ou Frank Sinatra. Isso sem falar em música mesmo, como Tom Jobim ou Ira Gershwin.
A família está mergulhada numa letargia perniciosa da qual não consegue acordar. Os jovens e as crianças se vulgarizam, suas condutas fogem ao controle dos pais que, como nunca tiveram as rédeas mesmo, apenas assistem com um riso estúpido e envergonhado na cara. A televisão ainda é um instrumento da democracia sobre o qual nós, pais e mães, temos o poder. Não falo de censura porque censura é coisa burra. Basta apertar um botão e o lixo cultural desaparece no ar. O problema é quando não temos mais capacidade de diferenciar o bom do ruim. Estamos criando uma geração de beócios aculturados e semi-alfabetizados. E é essa geração que vai nos governar em alguns anos (Deus nos acuda!).
Não sou moralista, não sou reacionário, mas ainda revolta-me o estômago quando vejo uma criança de dez anos rebolando com uma dançarina de bordel.
Pensem nisso!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

A importância de cada um.


Dois leões fugiram do Jardim Zoológico. Na fuga, cada um tomou um rumo diferente. Um dos leões foi para as matas e o outro foi para o centro da cidade. Procuraram os leões por todo o lado, mas ninguém os encontrou. Depois de um mês, para surpresa geral, o primeiro leão a voltar foi justamente o que fugira para as matas. Voltou magro, faminto, alquebrado. Assim, o leão foi reconduzido a sua jaula. Passaram-se oito meses e ninguém mais se lembrou do leão que fugira para o centro da cidade quando, um belo dia, o bichano foi recapturado. E voltou ao Jardim Zoológico gordo, sadio, vendendo saúde. Mal ficaram juntos de novo, o leão que fugira para a floresta perguntou ao colega:
- Como é que conseguiste ficar na cidade esse tempo todo e ainda voltar com saúde? Eu, que fugi para a mata, tive que voltar, porque quase não encontrava o que comer... !!!
O outro leão então explicou:
-Enchi-me de coragem e fui esconder-me numa repartição pública. Cada dia comia um funcionário e, como ninguém dava por falta dele, não me descobriam.
- E por que voltaste então para cá? Tinham acabado os funcionários?
- Nada disso. Funcionário público é coisa que nunca se acaba. É que eu cometi um erro gravíssimo. Tinha comido o diretor geral, dois superintendentes, cinco adjuntos, três coordenadores, dez assessores, doze chefes de seção, quinze chefes de divisão, várias secretárias, dezenas de funcionários e ninguém deu por falta deles! Mas, no dia em que eu comi aquele que servia o cafezinho... Estraguei tudo!!!


Texto original de Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto)

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