
A frase título é de um poema do inglês John
Donne. “Nenhum
homem é uma ilha; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra;
se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um
promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de
qualquer homem diminui-me, porque sou parte do gênero humano. E por isso não
perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram também por ti.”
Inspirado neste belíssimo e icônico poema do séc. XVI, Hemingway escreveu seu
clássico “Por Quem os Sinos Dobram”,
Thomas Merton escreveu “Homem Algum é Uma
Ilha” e o imortal Raul Seixas compôs a música “Por Quem os Sinos Dobram”. Um poema que nos faz lembrar o que disse
Aristóteles em “A Política”: “...o homem é um animal social. O homem que
por si só se basta, não é homem; ou é um deus ou é fera.” Pois, então,
nascemos para viver em comunhão com os outros, nascemos para uma vida de
relação. Então, por que a solidão é cada vez mais presente e constante? A
afetividade é mais e mais distante?
As relações virtuais e a tecnologia
substituíram o afeto do toque e da companhia física. Poucos são os que têm
paciência de escutar sem atropelar o outro com seus próprios problemas. É fácil
encontrar-se grupos de pessoas sentadas à mesma mesa, em silêncio permanente,
enquanto os dedos, sem parar, tamborilam o teclado do celular. Nem os garçons
são mais chamados para aquela ajudinha com a fotografia do grupo, o “pau de
selfie” substitui o braço amigo. Inumeráveis amigos no “face”, mas nenhum ombro
para chorar. As poltronas eletrônicas substituem as mãos do massagista, onde
regula-se o tempo e a pressão para movimentos repetidos pelo corpo, sem contato
humano, ... em absoluta solidão. Conquistamos tecnologias e nos perdemos uns
dos outros. Os fones metidos nos ouvidos nos desobrigam das gentilezas dos
sorrisos ou dos “Bons Dias”. É o meu mundinho privado. Afastem-se todos vocês
que não fazem parte do meu diminuto círculo de afeições! Cada vez mais
diminuto. Substituímos a alteridade, o respeito pelo outro, pela indiferença. Mas,
ainda é a voz humana que acalma, um abraço é sempre acalanto, um sorriso nos
enche o coração de alegria. Se eu me dispuser a encontrar os outros, acabo
encontrando a mim mesmo. Pode ser que nenhum homem seja uma ilha, mas, por
enquanto, a humanidade é um imenso arquipélago.
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