quinta-feira, 21 de maio de 2009

Somos nós que mandamos.


            Caros amigos, o explorador inglês, Sir James Clark Ross, disse uma frase que me pôs a pensar: “Um político pensa na próxima eleição; um estadista, na próxima geração”. Acho, por isso, que o Brasil não tem mais estadistas. Há algum tempo, também, ouvimos dizer que o Congresso atual é o pior Congresso que o Brasil já teve o desprazer de abrigar. Também concordo. Aturamos uma escória política que nos envergonha. E levaremos décadas para corrigir essa nódoa. A “Geni” do momento é o Senado, com seu vergonhoso loteamento de funções de diretoria, farra das passagens aéreas com nosso dinheiro, uso indevido de residências, e por aí segue o lixo. E os nossos senadores? Não sabiam nada? Só o Simom, com sua pose de moralista, tem um “século” lá dentro. E quem é esse outro sujeito que temos de aturar, o tal Deputado Sérgio “tô me lixando” Moraes? Saiu daqui, ó, deste rio-grande “politizado”. “Estou me lixando para a opinião pública. Até porque a opinião pública não acredita no que vocês escrevem. Nós nos reelegemos mesmo assim.” Assim eles pensam. E o pior..., têm razão. Nas próximas eleições, serão os mesmos..., de novo. E não adianta o Zé Povo chorar. Pois, é aí que reside o nosso paradoxo social. Como sociedade somos cidadãos. E como tal somos responsáveis pelos políticos que temos. Esse é o grande barato da democracia. Mas, o que nos falta enquanto cidadãos é cultura, educação e consciência política. Não temos a menor idéia do que é ser um político a serviço do povo, do quanto ele nos deve obrigação sobre o que faz com o seu mandato. Ora, somos nós que mandamos. Temos o poder da escolha. “Ah, não gostei de ninguém!”, tudo bem! Vote em branco, vote nulo.  Não se deve escolher alguém só por que ele é o “menos ruim”. Assim, nunca sairemos da condição de analfabetos políticos. Nunca seremos cidadãos de verdade enquanto não nos respeitarmos como cidadãos e não como meros portadores de carteira de identidade. Nunca seremos um país desenvolvido enquanto formos pobres. E não deixaremos de ser pobres enquanto nosso povo for inculto. E cultura e educação devem vir sempre antes do ensino.

 Pensem nisso.

sexta-feira, 20 de março de 2009

De avô para neto...


           Aqui vai este recado, de avô para neto, e que ninguém mais nos ouça, meu pequenino. Tu acabas de chegar e, por certo, não estranhas nada, pois que de nada sabes ainda. Mas, este teu avô precisa dizer-te umas coisas. Primeiro: nunca tenhas a pretensão de ter todas as respostas, pois a vida vai trazer-te sempre novas perguntas. Segundo: a vida tem cá seus vícios, mas vicia-te só no bem. E mais: tenha um aperto de mão forte, olhe sempre nos olhos, agradeça sempre e, quando possível, tenha um cão. Não quero falar-te sobre as ciências e tecnologias do mundo, isso vais conhecer a seu tempo, quando conseguires alcançar um teclado. E serás bem melhor que eu, te garanto. Tampouco conversaremos sobre os astros, sobre os turbilhões de galáxias e as infinitudes do Universo ou sobre as muitas possibilidades quânticas, já que eu mesmo sei que nada sei sobre isso. Acho mesmo que essa nossa conversa será para quando estiveres pronto a filosofar, por que eu quero falar-te sobre o maior mistério da obra de Deus: o homem. Talvez, o muito a se dizer sobre nós, humanos, resuma-se em muito pouco: somos difíceis de entender. Vivemos numa grande nave espacial. É..., num mundo que nos foi emprestado pelo Criador. É..., eu sei..., também acho que deveríamos ser gratos, sim, mas tudo o que fazemos é estragar essa casa aos poucos. Somos tão estranhos... Acontecem, a nossa volta, grandes incêndios devoradores de casas e florestas, terremotos pavorosos, os níveis dos oceanos estão subindo por que as geleiras se desfazem, as nevascas matam no Norte e as tormentas matam no Sul, a África morre de fome e a América de obesidade, nós ainda fazemos guerras e as guerras continuam vitimando inocentes, existem muitos com pouco e poucos com muito... Ainda assim, nossa preocupação são os campeonatos de futebol. Em Deus, nós apenas acreditamos, quando seria melhor conhecê-Lo. Oramos nos templos implorando por milagres, mas fazemos pouco para ajudar-nos. O que pedimos a Deus? De tudo. Desde emprego até o fim da violência, como se isso dependesse de Deus e não de nós. Enfim, queremos a coisa que vem fácil e sem esforço, e ainda queremos negociar com Deus por isso. E nos esquecemos que o grande milagre já nos foi dado: a vida. O que nenhum homem é capaz de criar. De duas minúsculas células genésicas que se combinam, a vida cresce, do embrião ao feto, até vir à luz do mundo um novo ser humano. Assim como tu, meu pequenino, que acabas de chegar. Mas, escuta um segredo..., apesar de tudo, viver esta vida vale muito à pena! Sê bem-vindo!

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Pois é..., passou.


            Não sou tão velho, tenho só “cinqüenta” anos (gosto do trema, sim), mas, de repente, comecei a ficar assim, meio saudosista. Fui um guri (tinhoso, dizia minha mãe) de muitos brinquedos: as árvores no quintal, o jogo do taco no meio da rua, campinhos de futebol onde ficava até escurecer, as pandorgas (que agora dizem: pipa) e  as bolas de gude (ah, as minhas “bulitas”) jogadas no terreiro sempre limpo e varrido onde eu também jogava pião, meu rifle “Winchester” era um galho. Usava guarda-pó branco na escola, onde, uma vez por semana, cantávamos o Hino Nacional. Sabia tabuada de cor e faço contas de cabeça até hoje. Conhecia todos os vizinhos da rua e todos diziam: bom dia, por favor, obrigado. Nossas casas tinham cercas de sarrafos e quando roubavam alguma coisa de alguém, era um escândalo comentado por dias. Nós fazíamos as refeições juntos e conversávamos à mesa. A mãe educava e o pai era figura presente e forte, mesmo sendo quase analfabetos isso não importava, afinal, eram o pai e a mãe. A televisão tinha que esquentar as válvulas antes de aparecer a imagem da “Família Trapo” ou dos “Perdidos no Espaço”. Geladeira era coisa rara e o telefone um luxo de classe média. Pois é..., passou. Hoje, as crianças andam com um MP-4 atolado no ouvido ou trancadas no quarto com seus computadores. Não ouvem ninguém, não sabem jogar bola, não sabem nem correr, odeiam sol e adoram um ar-condicionado. O computador comanda suas vidas, só se relacionam pelo Orkut e pelo MSN, não sabem conversar e gostam de viver uma vida virtual, inventada pela máquina e nela vivida. Fora do quarto, a vida é perigosa e tediosa. Talvez, por isso, tantos jovens adultos não sabem resolver seus problemas e temem deixar o lar paterno. Ir à escola é um sacrifício sempre compensado pelos pais ausentes. Os professores são os chatos que insistem que todos leiam ou aprendam a pensar, mas que infelizmente não podem ser deletados ou ignorados como no mundo virtual. Não há necessidade de pensar, basta agilidade para teclar e habilidade para dominar todas as ferramentas. Tentamos, a Zildinha e eu, educar nossos filhos nos padrões da nossa educação. Porém, permitindo o uso das novas tecnologias e ações virtuais, mas sem descuidar para que interagissem com o mundo verdadeiro, ou seja, subindo nas árvores, jogando bola, brincando de correr e sendo educados com os outros. Acho que conseguimos. Os filhos já são adultos e vivem as suas vidas, mas sempre que nos encontramos todos, comemos juntos e, sobretudo, conversamos. Penso que os pais precisam retomar a responsabilidade da educação dos filhos e buscar viver uma vida mais simples, onde o “ser” é preferível ao “ter”. Talvez aí, possamos ser menos arredios ao convívio social, indiferentes e despreparados para a vida. Pensem nisso.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A frieza do relógio.




Raul Seixas cantava: “... a frieza do relógio não compete c’oa quentura do meu coração...”; tinha razão, não compete mesmo. O relógio frio marca o tempo que acabamos por fazer nosso inimigo. Aquele ponteirinho dos segundos é implacável; o tempo nos atropela, não pára para ninguém, a tudo consome; destrói as pretensões de onipotência da adolescência e, nos velhos, esvai o sonho da juventude eterna. Mas, se tempo é nosso inimigo, e se não podemos combatê-lo, por que não fazemos dele um aliado? Por que não aproveitar o que o tempo nos deixou de bom? Se o tempo é relativo, como ensina a física, a felicidade também é, como quer a filosofia. É preciso olhar para trás e não dar importância ao ruim, aprender com os maus momentos, buscando, porém, valorizar mais o bom e o belo. Felicidade é isso: o somatório de momentos felizes. Pois, a felicidade não é um lugar onde se deva chegar, e sim o jeito como se caminha até lá. Lembram-se daquela passagem evangélica que orienta a ajuntarem-se tesouros que a traça não corrói, que a ferrugem não consome e que o ladrão não rouba? Pois, os instantes de felicidade que estão no passado são as jóias deste tesouro que ninguém pode me tomar. Ora, se eu consigo fazer isso, guardar as coisas boas que passaram, o tempo será meu aliado, e eu serei menos amargurado, serei um sujeito mais grato, deixarei de ser o “maior sofredor do mundo” porque encontrei razões para celebrar a vida. Eu estarei sempre onde estiver meu coração. Outra coisa importante é esvaziar a agenda de coisas inúteis. Lógico, todo mundo sabe que viver é difícil e imprevisível, e muitas coisas não dependem de nós. Quanto às imposições da vida, é preciso ser adulto, encarando tudo de frente, pois não há o que se faça. Mas, não se pode viver só com obrigações a cumprir e problemas para resolver. Não é para isso que vivemos. A coisa toda é não fugir das responsabilidades como: contas a pagar, a profissão, os estudos, etc.; mas, é preciso marcar na agenda futura momentos que poderão trazer felicidade. Um tempo maior com a família, com as pessoas a quem amamos e que nos amam; um tempo para os amigos, que sempre estão lá, mas nós os negligenciamos – quem não tem amigos, que trate de fazê-los..., e logo – ou, quem sabe, um tempo de não fazer nada. O ócio abençoado e criativo. O certo é que se deve olhar o futuro sob a perspectiva de uma vida mais calma, sem expectativas demasiadas, sem sonhos, apenas com planos; uma vida mais humilde e mais simples, enxergando o tempo como dádiva e não um castigo. Aí sim, a frieza do relógio se aquece no coração. Então, não lamente o passado. Tudo é dádiva.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Desejos.



Caros amigos, não há nada de novo debaixo do sol. Não existem milagres e a ciência matou o sobrenatural. Crendices e superstições não têm o poder de modificar o rumo que as nossas vidas tomarem. E esse rumo somos nós que indicamos, bom ou ruim, depende de nós. Ninguém está predestinado a nada, nosso destino, nós fazemos. Portanto, para este ano que se inicia, quem desejar saúde trate de se cuidar, faça exercícios físicos, mantenha uma alimentação sadia, evite excessos, cuidado com o álcool, melhor não fumar; quem desejar sucesso na vida material, busque o trabalho, seja disciplinado, estude muito e sempre, persevere em tudo e tenha boa vontade para com os outros, qualquer que seja sua atividade profissional; quem desejar um grande amor, aprenda a doar-se, busque amar mais que ser amado, entenda que aqueles a quem amamos não são nossa propriedade, substitua o egoísmo pelo altruísmo, esqueça essa bobagem de alma gêmea e não seja tão exigente, busque alguém que o complete e não que seja igual, esqueça um pouco de si e aprenda a ouvir; e aquele que desejar paz que primeiro desarme seu coração.

Não só o ano novo mas nossas vidas inteiras serão aquilo que nós quisermos, somos nós que construímos nosso futuro. Por isso, caros amigos, não lhes desejo essas coisas todas – que na maioria das vezes só falamos da boca para fora – como paz, fortuna, saúde, etc.; mas desejo sim, que em todos os momentos de nossas vidas tenhamos coragem para vencer os obstáculos com equilíbrio, tenacidade e respeito ao próximo. Acreditem, está em nós o poder para fazer a nossa vida muito melhor.

Mas, se você é dos que acreditam em milagres, que vai ganhar as coisas de mão beijada e sem esforço, então enfie lentilhas nos bolsos, coma doze grãos de uva, pule sete ondas na praia, use roupa branca ... 

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

É a hora da omelete.



Caros amigos, impossível não voltar ao tema; mas, como a resposta não vem, pergunta-se de novo: até quando, enfim, o cidadão pacato, ordeiro e de bem será refém do medo, da violência, da criminalidade, do estado paternalista cujas leis defendem mais os canalhas que os homens de bem? Ora, apesar da retórica, a resposta é simples! Duvido, no entanto, que algum “governante” tenha a coragem de responder com sinceridade, de acordo com os ditames do coração. Isso porque o governante é uma imagem externa, depende do voto, age e fala de acordo com o politicamente correto. Fosse sincero, dissesse o que realmente pensa, perderia muitos votos! Mas, a resposta para a pergunta inicial é simples: a diminuição da criminalidade só se dará quando o Estado mostrar-se mais poderoso que o bandido. Simples!

Não é possível que no Brasil, aliás, como “nunca antes na história deste país”, se continue tratando a criminalidade como mera questão social. Bolsa-família, bolsa-escola, vale-transporte, vale-refeição, soldado-cidadão, primeiro emprego, etc., nada disso fez  ou fará diminuir a violência, talvez não em curto prazo. Aliás, em muitos casos o que se viu foram irregularidades e fraudes causadas por quem deveria gerir tais recursos. Entendo que as políticas sociais devem ser mantidas, mas seus frutos só se colherão em longo prazo.  No entanto, tratar o crime como problema exclusivamente social não passa de uma discriminação estúpida, como a dizer que só o pobre é um bandido em potencial, e não como uma questão de índole. Não conheço nenhum pobre sendo processado por fraude milionária ao sistema bancário. O crime, em qualquer situação, é questão policial e assim deveria ser tratado: dentro da lei, mas com muito rigor. Ou seja, tolerância zero, mas já, agora, para qualquer delito, desde os mais graves, como o homicídio, o latrocínio, o estupro, os assaltos violentos, passando por dirigir embriagado (onde foram parar os bafômetros e as prisões televisivas?), os maus tratos a animais, até a compra de votos por um canalha qualquer travestido de homem público. Mas..., os celulares continuam nas cadeias, continua o foro privilegiado, o policial tem de se justificar se usar as algemas... Com tolerância zero, todo criminoso sabe o caminho que o espera: a cadeia. Mas, que sejam cadeias que recuperem os homens, não esses depósitos de lixo humano.

A questão social pode ser um dos motivadores da violência, é certo. Mas o Estado é tão ausente, impera tamanha impunidade, que é sempre fácil cair no crime e nele permanecer. Só educação e cultura podem gerar cidadania, o paternalismo do Estado, sem uma política social voltada para a educação, gera cada vez mais diferenças sociais. Mantenho esperanças na legalidade do Estado, mas entendo que chega uma hora em que os ovos têm de ser quebrados para se fazer a omelete.

Pensem nisso! 

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Solilóquio está na Feira.

Convite aos amigos e aos caros leitores,

Pois, o livro de contos "Solilóquio e outras histórias curtas" está também na 54ª Feira do Livro de Porto Alegre.
Nesta quinta, 13 de novembro, às 16:30 h., estarei autografando na feira, no Pavilhaõ de Autógrafos, ao lado do Memorial do Rio Grande.

O livro poderá ser adquirido na barraca da Livraria Futura e, no dia, na entrada do Pavilhão.

Será um prazer recebê-los. Até lá e um grande abraço. 

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O vício do poder.


Maquiavel nos ensina em O Príncipe, que o poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente. Meu pai dizia, na sua sabedoria bronca de torneiro mecânico, que para se conhecer, de verdade, uma pessoa, basta dar-lhe poder ou, então, uma boa pinga. Pois que, os dois vícios revelam a personalidade escondida. Existem os que recebem o poder, mas não o desejam, estes normalmente são os melhores gestores. Existem, no entanto, os viciados, desejosos e ansiosos pelo poder, e estes, no mais da vez, não o merecem. A política, por exemplo, é o melhor campo de atuação do desejoso de poder. Ser o dono da máquina pública, ter nas mãos a chave do cofre, conhecer os meandros das grandes negociatas; ter, enfim, poder sobre o dinheiro público, que é, ao mesmo tempo, de todos e não é de ninguém, mas que o viciado no poder pensa que é só seu. E quando percebem que estão perdendo o poder, ou se desesperam ou, na maioria das vezes, mudam de lado rapidamente para se conservarem atuantes. Os gananciosos por poder são melindrosos, porque o poder não aceita que lhe chamem a atenção para seus erros. São autoritários, sem autocrítica e sem auto-imposição de limites. Mas, não acreditem que falo só da política. Isso não é regra. Conhecemos todos, pessoas que trabalham na política com altruísmo e sempre visando o bem público. A ânsia pelo poder é um dos vícios da humanidade, uma das suas mazelas morais contra a qual o homem, que deseja realmente crescer como ente humano, precisa lutar. É o desejo de subjugar os que lhe caem na esfera de atuação, seja na política, no trabalho, na família, na relação conjugal, na vida de sociedade, enfim. O ganancioso desumaniza-se, dessocializa-se; ele deseja ardentemente ser o centro de todas as atenções, onde todos devam girar ao seu redor e depender de sua decisão. Usa-se o sexo para atingir o poder, usa-se o conhecimento restrito a poucos, a religião misteriosa e dogmática, a informação sonegada do público. Quem tem ânsia pelo poder não mede esforços, é capaz de qualquer coisa para atingir o seu objetivo e depois, conservá-lo. Vale qualquer coisa, passando pela compra de votos e até matar alguém. O viciado pelo poder dificilmente melhora sua conduta, porque não sabe que está errado ou doente, pois quem tem poder extremo cerca-se de bajuladores, que também desejam o poder, pessoas que nunca lhe apontarão os seus erros. E ai daquele que lhe disser que está errado, será considerado um traidor. O poder pode ser um vício ou uma arma na mão dos fracos e gananciosos; ou pode ser uma ferramenta, nas mãos de homens de bem, usada para alavancar o progresso da sociedade. O homem de bem, é modesto, não deseja o poder, e por isso mesmo é bem quisto. O ganancioso usa o poder como se ele fosse um ser à parte da sociedade, é prepotente, pedante, e, quase sempre, pelas costas, é odiado. E você, como usa o poder?

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Ação e Reação.




E então, como anda seu estado de espírito? Está tudo bem? Em paz com a vida e com os seus? Se está..., então ótimo! Mantenha o bom ânimo. Mas, se está agitado, nervoso, preocupado, depressivo, desesperançado, sentindo-se a criatura mais sofredora deste mundo, aquele a quem ninguém compreende..., vá com calma; a vida não é uma coisa tão ruim assim. Você pode estar criando um demônio mais feio do ele realmente é. Tudo depende da nossa postura mental diante do mundo. Dizem que para toda a regra existe exceção. Pode ser..., sei não. Mas, para as leis universais que regem as nossas vidas não há “jeitinho”. Pela lei de Ação e Reação, a vida será para nós aquilo que fizermos dela, seja de bom ou de ruim. Assim, quando tudo parece conspirar contra nós, talvez sejamos nós que conspiramos contra tudo. A vida é assim e você, meu amigo, minha amiga, não é exceção, não tente fugir da realidade. Não tente esconder-se feito avestruz com a cabeça dentro da terra. E fantasias e milagres não existem. A vida, enfim, é dura para quem é mole. Reconheço: é difícil manter o pensamento positivo, somos constantemente bombardeados com notícias ruins e sensacionalistas. O problema é que ficamos sempre mais impressionados com as desgraças, adoramos comentar sobre tudo o que é mau. Com isso, criamos os nossos demônios dentro de nós e ao nosso redor. Aos poucos, sentimo-nos derrotados e sem capacidade de lutar, ficamos absolutamente negativos com tudo e com todos. Como, então, mudar a polaridade dos nossos pensamentos? Isso sim é simples de fazer. Começando por não comportar-se como os conformados ou pessimistas, porque esses já estão derrotados. O soldado que vai para a batalha acreditando na sua derrota, já perdeu a guerra antes de entrar nela. Lembre-se como uma bela manhã de sol afasta todos os monstros que a noite de insônia nos trouxe. Procure olhar sempre o lado bom da vida, quem está perdido, mas não se desespera, acha a saída. Anime-se, portanto, e a cada dia procure fazer o seu melhor em tudo, a vida vai lhe responder também com o melhor. Dou-lhes um exemplo: um amigo meu (aliás, de muita gente, estou só sendo egoísta) foi candidato a vereador nessas passadas eleições. Jornalista, poeta, escritor, intelectual refinado, um homem extremamente simples. É claro que ele não foi eleito. Em um jantar, dias antes das eleições, ele nos disse que tem muita esperança no futuro, que ainda é novo, que tem muitos anos pela frente e poderá fazer alguma coisa de positivo pela sociedade em que vive. Maravilha. O meu bom amigo tem 81 anos. Isso é pensar positivo, isso é ser positivo, é estar sempre bem, sob qualquer ponto de vista. Pois, tentemos ser assim, vejamos o lado bom das coisas. A vida continuará sendo difícil? Sim! Continuaremos a lutar pela sobrevivência? Sim! Mas, estaremos melhor preparados quando as adversidades nos baterem à porta.
Pensem nisso.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Escolher ou decidir?



Caros amigos, vocês já viram como os comerciais da televisão transformam a vida numa coisa fácil, simples e descompromissada? Tudo começa com uma simples escolha – da coisa certa, é claro! E o certo é o que está sendo anunciado. E você só escolherá essa coisa, se tiver bom gosto, se for um cara de classe, se for inteligente, etc. Enfim, um cara meio paspalho, assim como eu, está ferrado. Qual o leite você vai escolher? Qual o par de tênis? Qual cerveja? Qual combustível vai colocar no seu carro com motor “mega total power full flex fuel”: álcool ou gasolina? Pois é, o ato de escolher banalizou-se e isso se transferiu para a vida e já fazemos confusão, principalmente os mais jovens, entre escolha e decisão. Como se bastasse apertar um botão no controle remoto que tudo se ajeitará. Mas, a vida é dura e cobra seu preço muito alto para quem só sabe escolher e não tem coragem para decidir.
Pois, escolher é ato de impulso, quase descompromissado, quase sempre é sobre o melhor, o mais fácil e no menor espaço de tempo. Crianças e adolescentes sabem e podem escolher. Coisas como: Qual canal assistir? Em qual cinema entrar? Que tipo de combustível usar? Qual a cor favorita para pintar a casa? Quero café puro ou com leite? Uso a calça preta ou a marrom? Decidir, no entanto, relaciona-se, sempre a situações mais graves e determinantes para a vida. É preciso o uso da lógica e da razão, muito pouco do coração; decide-se pelo que é certo e não pelo mais prazeroso. Ou seja, decide-se pelo melhor que, na maioria das vezes, não é o mais fácil. Enfim, é preciso maturidade para decidir. Infelizmente, a maioria dos adultos ainda não é madura e afasta-se logo do que é demorado e dolorido, mesmo que seja o certo a fazer. Casamento, profissão, educação da família, honestidade e lisura nas relações humanas, isto se decide não se escolhe. Hoje, separam-se os casais (amor não se separa) como se trocam os canais de TV por um controle remoto; o mesmo para as escolas, empregos, amigos (será possível trocar um amigo?). Por que lutar por um relacionamento? Divórcio é fácil. Para que pensar (já que pensar dói), decidir? Por que usar a razão (eu não sou maduro mesmo)? Muda-se, ou melhor, escolhe-se. Li um artigo que falava em dados do IBGE mostrando que nos aproximamos da casa de 50% de separações (classes A e B). Ou seja, parece que muitos estão escolhendo casar, em vez de se decidir pelo casamento. Cada vez escolhemos mais e decidimos menos. É a ditadura do controle remoto. Não é coincidência a preferência das novas gerações pela comida rápida, o tal “fast-food”. Minha geração não é perfeita, ao contrário, só estamos tentando melhorar o mundo agora quando chegamos à faixa entre os 50 e os 60. Mas, nós aprendemos a lidar com as conseqüências das nossas decisões. Ou, pelo menos, alguns de nós. Afinal, o que é certo e o que é errado?
Pensem nisso.

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